A Placa Palatina de Memória

A Placa Palatina de Memória consiste em um artefato que, quando colocado no palato da criança, faz com que a mesma queira encontrar, com a língua, o botão saliente que existe na sua superfície. Essa busca faz com que a criança tenha que selar os lábios e tenha que trabalhar a musculatura orofacial. Como consequência, por um lado o selamento dos lábios contribui para evitar a respiração oral e o surgimento de processos infecciosos no trato respiratório superior. Por outro  lado ajuda na motricidade oral, no combate à hipotonia, o que auxilia os processos de deglutição, mastigação e fala.

É um recurso bárbaro.

Encontrei a Dra. Elizabeth Yamasaki, a incrível Odontopediatra que pôs a Placa em Luisa, nas buscas que fiz em publicações científicas sobre o assunto, graças a um artigo científico resultante de uma monografia de especialização em Odontopediatria em que ela foi a Orientadora, e que tinha por tema justamente o uso da Placa em crianças com Síndrome de Down. Eis o artigo de que falo:

  • Tratamento Precoce com a Placa Palatina de Castillo-Morales em Bebês com Síndrome de Down – Relato de dois Casos Clínicos

    Castillo-Morales precocious treatment with palatine plate in
    Down syndrome babies –Briefing of two clinical cases

    Cecília Utako TSUTSUMI *
    Elizabeth YAMASAKI **
    Maria Rosária Lasmar do AMARAL ***
    Jorge Sá Elias NOGUEIRA ****

  •  RESUMO: Crianças portadoras de síndrome de Down apresentam com freqüência uma desordem orofacial, afetando diretamente nas funções de sucção, deglutição, mastigação, fonação e respiração alteradas. Este trabalho apresenta os efeitos da Terapia de Regulação Orofacial de Castillo-Morales com auxílio de placa palatina, ilustrado com quatro casos clínicos, apresentando a possibilidade de uso desta terapia no tratamento precoce em bebês, obtendo-se resultados positivos significativos, como a melhora no posicionamento da língua, selamento labial e melhora na expressão facial.

    PALAVRAS-CHAVE: Síndrome de Down; Terapia de Regulação Orofacial de Castillo-Morales; Placa Palatina; Miofuncional; Estimulação Neuromuscular.
  • Segundo os resultados do censo 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima-se que haja cerca de 300 mil pessoas que nasceram com a síndrome Down
  •  Esta síndrome foi a primeira anormalidade autossômica descrita no homem e a mais comumente encontrada. Sendo cerca de 95% dos casos, causada pela trissomia do cromossomo 21, resultante da não disjunção meiótica deste par de cromossomos (MUSTACCHI & ROZONE, 1990).
    As principais alterações orofaciais encontradas nos pacientes afetados são: subdesenvolvimento do terço médio da face, modificações na posição dos dentes e do maxilar, o palato é pequeno e estreito; além de freqüentes infecções nas vias aéreas superiores. Em função da disfunção muscular orofacial, a língua apresenta-se ampliada e flácida, protruindo através da boca aberta e apoiando-se na mandíbula e lábio inferior, sendo que o selamento labial não é suficiente. Devido estas desordens, as funções de mastigação, sucção e deglutição estão alteradas. Além disso, a respiração é oral, modificando-se todo o desenvolvimento da face (OLBRISCH, 1982; FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; FISCHER-BRANDIES et al., 1988; CASTILLO – MORALES, 1999).
     A língua, nesses pacientes é caracterizada por ser maior, aceitando-se que esta macroglossia é relativa, devido ao pequeno espaço encontrado para o seu posicionamento. Vários mecanismos compensatórios conduzem a protrusão lingual e abertura bucal, que determinam o hábito da respiração bucal (OSTER, 1953).
  • A língua apresenta uma extrema mobilidade. Durante o processo de sucção e o ato de deglutir, encontra-se entre as gengivas ou entre os lábios, o que também se mantém na articulação dos fonemas (CASTILLO-MORALES, 1999).
    Juntamente com a deficiência de visão, audição e a falta de coordenação muscular geral, dificuldades no desenvolvimento da linguagem é comumente relatado, sendo um fator essencial para leitura, escrita e a interação da criança no meio social (OLBRISCH, 1982; ROZNER, 1983; BOREA et al., 1990; CASTILLO-MORALES, 1999).
  • Castillo-Morales et al. (1985) formalizaram a Terapia de Regulação Orofacial, que consiste em um programa ampliado de estimulação neuromuscular, incluindo a área orofacial, onde os pontos motores da face são zonas de reação, a partir das quais se podem ativar respostas motoras de um músculo ou de uma cadeia muscular através de estímulos táteis e proprioceptivos. Incluindo também como auxiliar, uma placa pala-tina removível de acrílico com estimuladores específicos para língua e lábios, que induz o vedamento labial e a manutenção da língua dentro da boca, levando a melhora da musculatura orofacial e desenvolvimento da respiração normal da criança, ainda bebê, e de preferência precocemente (HOYER & LIMBROCK, 1990; LIMBROCK et al., 1991; CASTILLO-MORALES, 1999).
    É de fundamental importância que haja o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar (Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Otorrinolaringologista, Pediatra, Terapeuta Ocupacional entre outros), somados ao interesse e dedicação dos pais ou responsáveis.
    Este trabalho, tem como objetivo, comprovar com análise clínica dos resultados, de efetividade da terapia apresentando dois casos clínicos; e com isso aumentar o conhecimento a respeito da propriocepção da musculatura orofacial pela Terapia de Regulação Orofacial de Castillo-Morales, possibilitando cada vez mais a melhoria na qualidade do atendimento, e a promoção de atividades preventivas e de intervenção precoce às crianças portadoras de síndrome de Down.
     Para o tratamento dos distúrbios funcionais orofaciais em crianças portadoras de síndrome de Down, Castillo-Morales sugere tratar estas anomalias com a ajuda de placa para a maxila em um estágio precoce, se possível ainda em bebês. Objetivando reduzir os efeitos prejudiciais, pois é nesse período que apresenta-se um importante desenvolvimento da região bucal e do sistema nervoso central (FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; CASTILLO-MORALES et al., 1985; FISCHER-BRANDIES et al., 1988; RODRÍGUEZ et al., 2002).
  • O tratamento deveria começar, idealmente, na idade de 2 a 3 meses, porque é nesta idade que o paciente tolera melhor o uso da placa palatina (FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; RODRÍGUEZ et al., 2002).
    Há três princípios que fazem parte da terapia: avaliação do diagnóstico funcional para descartar problemas respiratórios graves, um programa manual especial de estimulação e a utilização da placa palatina (CASTILLO-MORALES et al., 1985; FISCHER-BRANDIES et al., 1988; BOREA et al., 1990; HOYER & LIMBROCK, 1990; CASTILLO-MORALES, 1999).
    A placa palatina possui dois estimuladores especialmente desenhados, um deles é o botão estimulador no que se encontra centralizado no palato e que deve ser colocado na parte mais posterior possível, no limite entre o palato mole e duro. A altura do botão não deve ultrapassar 3mm a 4mm e deve ter um diâmetro de cerca de 5mm a 7mm. Na parte central, o botão deve ser bem cavado para proporcionar o desejado efeito de vácuo (CASTILLO-MORALES, 1999). Onde a língua se põe a “brincar” com este estimulador central desde que o aparelho é colocado na boca, estimulando a executar uma contração para trás e para cima. Desta maneira, a língua adquire um melhor padrão funcional de movimento (FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; HOYER & LIMBROCK, 1990; LIMBROCK et al., 1991; CASTILLO-MORALES, 1999; RODRÍGUEZ, 2002).
    Segundo Castillo-Morales (1999), a região de estimulação com o botão na parte mediana mais posterior da placa, não pode ser alterada. Pois, no início do trabalho com as placas, eram modificadas as zonas de estimulação a cada três meses, as transportando, cada vez mais, para frente. Isto levou a fracassos, pois a língua começava, novamente, a protruir. Portanto, em crianças que se adaptam rapidamente ao estímulo mais posterior do palato, prepara-se uma segunda placa; onde o local do botão deve permanecer o mesmo e apenas a forma do botão é modificada (por exemplo: flor, estrela), ou seja, a estrutura básica permanece a mesma.
    O outro estimulador, se localiza na borda anterior vestibular desta placa, que é dividida ao meio por um alívio feito para a acomodação do freio labial superior, seguida de várias ranhuras verticais bilaterais, que estimulam as reações desejadas da musculatura orbicular (FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; CASTILLO-MORALES et al., 1985; FISCHER-BRANDIES et al., 1988; FISCHER-BRANDIES, 1989; LIMBROCK et al., 1991).
    A utilização da placa se faz durante o dia, por quatro a seis horas, com intervalos de cerca de duas horas. Normalmente, ela é retirada durante as refeições para não atrapalhar as experiências sensoperceptivas. E para maior tranqüilidade dos pais, recomendamos que a criança não durma com o aparelho. A troca sendo feita a cada três meses adequadamente, dependendo do crescimento e do desenvolvimento de cada criança, havendo a aproximação do padrão fisiológico de sucção, deglutição e respiração devido à melhora da postura da língua e dos lábios (FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; HOYER & LIMBROCK, 1990; LIMBROCK et al., 1991; CASTILLO-MORALES, 1999; RODRÍGUEZ et al., 2002).
    O tratamento se emprega em geral em um período de um ano a um ano e meio, na maioria dos pacientes melhora-se neste prazo as funções da musculatura orofacial (FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; CASTILLO-MORALES et al., 1985; FISCHER-BRANDIES et al., 1988; FISCHER-BRANDIES, 1989; HOYER & LIMBROCK, 1990; LIMBROCK et al., 1991).
  • O controle das placas, feito por profissionais competentes, é indispensável e está relacionado com a adequação regular do programa de correção orofacial. Considera-se o uso de uma placa sem o respectivo tratamento orofacial com uma equipe multidisciplinar, como totalmente sem sentido (FISCHER-BRANDIES et al., 1988; CASTILLO-MORALES et al., 1985; LIMBROCK et al., 1990; HOYER & LIMBROCK, 1990; LIMBROCK et al., 1991; CASTILLO-MORALES, 1999).
    Com o nascimento dos dentes, é necessário que se façam perfurações na placa; em crianças mais velhas, com dentição já completa, a placa recebe grampos metálicos e se necessário são usados fixadores ou pó adesivo, e deve-se, então comunicar aos pais que, nestes casos, há um aumento do fluxo salivar. A placa nos bebês sem dentes, se fixa por aspiração; com a erupção dos dentes, o efeito da aspiração diminui (FISCHER- BRANDIES & JUNKER, 1984; LIMBROCK et al., 1991; CASTILLO-MORALES, 1999).
    Fischer-Brandies & Junker (1984) trabalhando na Universidade de Munique, na Alemanha, realizaram um estudo envolvendo 71 crianças com enfermidade motora cerebral (E.M.C.), com dois anos e três meses de duração da terapia, sendo que mais de dois terços dos pacientes tratados com o método Castillo-Morales, apresentaram uma melhora dos movimentos voluntários, assim como dos movimentos anormais da língua, da mastigação atípica e da abundância salivar.
    Hoyer & Limbrock (1990) aplicaram a terapia e os resultados do estudo realizado foram encorajadores, aproximadamente dois terços das 74 crianças com síndrome de Down, com idade de seis semanas a oito anos foram tratadas com sucesso. Os sintomas hipotônicos orofaciais foram significativamente reduzidos, permitindo melhora na mastigação, deglutição, fonação e expressão facial.
    Limbrock et al. (1991) desenvolveram a terapia de Castillo-Morales em 67 crianças portadoras da síndrome de Down, com idade média de 13,9 meses no início da terapia, os quais usaram a placa palatina de maneira intermitente por 12,1 meses. Resultados significativos foram obtidos na melhora da posição da língua, bem como na posição do lábio inferior e na hipotonicidade generalizada dos lábios.
    Mello et al. (1998) relataram que após a colocação da placa palatina, em um bebê de 7 meses de idade, observou-se uma melhora imediata do perfil e postura lingual, ocorrendo o selamento labial; dando a face um aspecto mais harmônico.
    Rodríguez et al. (2002) através de uma avaliação qualitativa, determinada por registro em vídeo e relato dos pais, as 21 crianças tratadas, todas alcançaram um reposicionamento lingual favorável (menor protrusão lingual); sendo que treze delas melhoraram a posição dos lábios, obtendo-se o selamento labial.
    RELATO DOS 2 MENINOS!!! Paciente M.D.S.F., 6 meses de idade, portador de síndrome de Down, com moderada protrusão lingual e deficiência no selamento labial.
  • Paciente E.G.F.S., 7 meses de idade, portador de síndrome de Down, com evidente protrusão lingual e deficiência no selamento labial.
    Primeiramente foi explicado aos pais sobre o tratamento, onde solicitou-se uma avaliação feita pelo Otorrinolaringologista onde foi comprovada a ausência de obstrução orgânica das vias aéreas superiores e entregue um termo de consentimento para autorização da aplicação da terapia.
  • Nos dois casos, foi aplicado a Terapia de regulação orofacial de Castillo-Morales com auxílio de placa palatina, buscando a estimulação precoce da musculatura orofacial.
    Para a confecção da placa, foi primeiro confeccionada duas moldeiras “manualmente” com resina autopolimerizável de forma aleatória e depois de prontas foram perfuradas e passaram por fase de acabamento e polimento adequadamente; devido ser inacessível moldeiras para bebês no mercado local
    Os bebês foram moldados, em uma postura adequada, sentado sobre as pernas da mãe com a cabeça inclinada levemente para trás e apoiada na articulação do cotovelo da mesma. Onde foram obtidos modelos de gesso com a utilização do material hidrocolóide irreversível. Desta primeira moldagem foram confeccionadas moldeiras individuais de cada bebê respectivamente e devidamente perfuradas, utilizando resina autopolimerizável novamente, com enceramento prévio E novamente são tirados os moldes do palato dos bebês, com alginato; o processo todo demora cerca de três minutos. Com estes moldes, obtém-se os modelos finais de gesso, que são adequadamente encerados; tomando-se os cuidados necessários com a localização, altura e diâmetro do botão palatal e ranhuras vestibulares anteriores, além do alívio do freio labial superior ). Que depois seguem para serem acrilizados, desta vez com resina termopolimerizável E depois de feito o acabamento e polimento necessários, as placas foram instaladas cuidadosamente nos pacientes. Onde é verificada a adaptação.Instruções são dadas aos pais a respeito da utilização do aparelho, período e horários de uso, além dos cuidados de higiene, armazenagem quando não estiverem de uso das placas e supervisão de uma pessoa responsável sempre que a criança estiver usando a mesma.
  • Acompanhamentos são feitos semanais neste primeiro mês de uso, e depois se tornando quinzenais para avaliação e controle.
    RESULTADOS
  • Logo após a colocação da placa palatina, notou-se que a língua dos bebês pôs-se a “brincar” com a placa, movimentando-se sem parar, parece que querendo identificar o objeto estranho dentro de sua boca
    Passado alguns minutos, observou-se uma melhora na postura da língua, ocorrendo o selamento labial e melhora da expressão facial Após três semanas de uso, foram feitas avaliações clínicas e questionamento aos pais dos bebês, que relataram a permanência da língua por mais tempo no interior da boca e melhor selamento labial. O tratamento está planejado para ter duração de um ano a um ano e meio, com o devido acompanhamento e necessidade de confecções de novas placas com o crescimento e desenvolvimento dos bebês.
    É importante mencionar que os bebês estão desde um mês e meio de vida, fazendo parte de um programa adotado pela APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), que consta com uma equipe multidisciplinar que trabalha para melhoria da qualidade de vida e integração dos portadores de síndrome de Down na sociedade. E também usufruem de atendimento fonoaudiológico na CLIFA (Clínica de Fonoaudiologia) da UNAMA (Universidade da Amazônia), onde recebem estimulação tátil e proprioceptivo na área orofacial.
    DISCUSSÃO
  • As crianças portadoras de síndrome de Down foram especialmente selecionadas para este estudo porque muito é conhecido sobre suas características orofaciais alteradas. Elas constituem uma grande proporção de crianças no Brasil todo (Censo 200 do IBGE).
    O tratamento deve-se iniciar o mais precoce possível, pois é neste período que realiza-se mais intensamente o desenvolvimento da região bucal e sistema nervoso central (FISCHER-BRANDIES & JUNKER, 1984; HOYER & LIMBROCK, 1990; LIMBROCK et al., 1991; RODRÍGUEZ et al., 2002).
    Segundo Rodrigues et al. (2002), em seu trabalho com 21 crianças, os mais novos (1 a 3 meses de idade) se adaptaram melhor a placa, melhoraram sua posição lingual mais rapidamente e mostraram resultados mais estáveis, o qual indica ser mais favorável que a terapia se inicie o mais precoce possível.
    Segundo Castillo-Morales (1999), a indicação de uso de uma placa tem que ser exata, com critérios e objetivos muito claros; jamais deve-se colocar uma placa com fins profiláticos, pois é impossível prever a evolução da criança quando esta ainda é muito nova. Assim, não se trata de uma fórmula única, mas sim de levar os profissionais a observar, examinar e optar pelos caminhos mais adequados para cada paciente específico.
    Uma das causas que podem comprometer a terapia é a prescrição de placa para uma criança com respiração bucal e que tem vias respiratórias superiores deslocadas por uma patologia obstrutiva, portanto é imprescindível uma avaliação prévia (HOYER & LIMBROCK, 1990; CASTILLO-MORALES, 1999; RODRÍGUEZ et al., 2002).
    É relatado que a placa ao ser encaixada na mucosa da criança, na maioria dos casos a musculatura oral reage imediatamente, de forma positiva (LIMBROCK et al., 1991; MELLO et al., 1998).
    Em nosso estudo não foi observado a reação imediata da musculatura oral nos bebês, com a instalação da placa.
    Fischer-Brandies & Junker (1984) em sua experiência que durou dois anos e meio, confirmam as vantagens clínicas do tratamento com a placa. O mesmo acontecendo com Rodríguez et al. (2002), que utilizaram a terapia em 21 crianças.
    Hoyer & Limbrock (1990), relataram que aproximadamente dois terços das 74 crianças, com idade de seis semanas a oito anos, foram tratadas com sucesso. Os sintomas hipotônicos orofaciais foram significativamente reduzidos, permitindo melhora na mastigação, deglutição, fonação e expressão facial.
    A terapia de Castillo-Morales partilha um problema com todas as outras terapias de reabilitação, isto é, as desordens orofaciais são difíceis de avaliar objetivamente. Porém, a eficiência funcional do aparelho já foi comprovada, ao ser retirado por um período de tempo, nos primeiros estágios do tratamento, resultando em um retorno à condição patológica inicial (HOYER & LIMBROCK, 1990; LIMBROCK et al., 1991).
    CONCLUSÃO
  • Com base na revisão de literatura e experiência clínica, pode-se concluir que:
    A língua adquire um melhor posicionamento dentro da cavidade oral, havendo o contato dos lábios e, com isso promovendo à criança uma possibilidade de desenvolver uma respiração adequada, favorecendo o desenvolvimento normal da face e consequentemente da fala, o que lhe propiciaria uma maior interação com meio social.
    Deve-se atentar para a indicação exata do uso da placa palatina, os profissionais responsáveis devem observar, examinar e optar pelo caminho mais adequado para cada caso.
    O trabalho deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar.
    REFERÊNCIAS

  • BOREA, G.; MAGI, M.; MINGARELLI, R.; ZAMBONI, C. The oral cavity in Down syndrome. J. Pedodont., v. 14, n. 3, p. 139-140, march. 1990.
    CASTILLO-MORALES, R. Terapia de regulação orofacial. São Paulo: Memmon, 1999. 195p.
    __________________; BRONDO, J.; HOYER, H.; LIMBROCK, G.J. Die behandlung von Dau-Schluck – und sprechstorungen bei behinderten kindernmint der orofazialen regulation therapic nach Castillo-Morales. Aufgabe fuer paediater und zahnarzt zahnaerztl-mitt. v. 75, n. 9, p. 935-942, mai. 1985.
    FISCHER-BRANDIES, H. Développement vertical des mâchoires dans les cas de trisomie 21: interaction de la forme et de la fonction. Orthod. Fr., v. 60, n. 2, p. 521-526, 1989.
    __________________; JUNKER, N. Théoric et pratique du traitment fonctionnel en O.D.F. chez les nourissons et les enfants en bas-âge atteints du Morbus-Down. Orthod. Fr. v. 55, n. 2, p. 467-471, 1984.
    __________________; LIMBROCK, G.J.; TRÄGNERBORN, J. La thérapie fonctionnelle sensorimotrice des troubles fonctionnels oro-faciaux chez les enfants avec I.M.C., d’après Castillo-Morales (infirmité motrice cérebrale). Orthed. Fr., v. 59, n. 2, p. 449-458, 1988.
    FOYER, H; LIMBROCK, CT. J. Orofacial regulation therapy in children with Down syndrome, using the methods and appliances of Castillo-Morales. J. Dent. Child., v. 57, n. 6, p. 442-444, nov-dec. 1990.
    LIMBROCK, G.J.; FISCHER-BRANDIES, H.; AVALLE, C. Castillo-Morales orofacial therapy: treatment of 67 children with Down syndrome. Dev. Med. Child Neurol., v. 33, n. 4, p. 296-303, april. 1991.
    _________; HOYER, H.; SCHEYING, H. Regulation therapy by Castillo-Morales in children with Down syndrome: primary and secondary orofacial pathology. ASDC J. Dent. Child., v. 57, n. 6, p. 437-441, nov-dec. 1990.
    MELLO, C.R.S.; GUGISCHS, R.C.; FRAIZ, F.C.; LOPES, M.N. Terapia reguladora orofacial na síndrome de Down. Apresentação de quadro clínico. JBP, v. 1, n. 1, p. 34-43, jan-mar. 1998.
    MUSTACCHI, Z.; ROZONE, G. Síndrome de Down. São Paulo: CID, 1990. 247p.
    OLBRISCH, R.R. Plastic surgical management of children with Down’s syndrome: indications and results. British Journal of Plastic Sugery, v. 35, n. 2. p. 195-200, april. 1982.
    OSTER, J. Mongolism. Copenhagen: Danish Science Press Ltd., 1953.
    RODRÍGUEZ, R.R.; JIMÉNEZ , J.; DUQUE, O.; CHAURRA, R.C. Evaluación posterior a terapia de estimulación ortopédica maxilar temprana en ninõs com síndrome de Down. Revista Facultad de Odontología, v. 14, n. 1, 2002.
    ROZNER, L. Facial plastic surgery for down’s syndrome. Lancet, v. 1, n. 8337, p. 1320-1323, june. 1983.

Com a palavra, a Dra. Elizabeth Yamasaki:

“Após confecção de moldeira individual com cera de articulação, portanto maleável e de fácil adaptação ao tamanho da arcada, faz-se a moldagem do arco superior com alginato ( pouquissima quantidade e consistência firme) com a posição da cabeça inclinada para frente, para marcar no modelo os limites da placa!

  • Foto de Elizabeth Yamasaki.

Com resina acrílica autopplimerizável tanto pela técnica do pó-líquido direto no modelo ou misturado em pote dapen e reservando até o momento da acrilização, faz-se a placa com um botão de acrílico numa porção mais posterior do palato puro.

Foto de Elizabeth Yamasaki.
O acabamento deve contornar as bridas, não deixar nenhuma borda cortante e deve ter um contorno irregular na região vestibular anterior, isso estimulará a musculatura peribucal.
Foto de Elizabeth Yamasaki.
Imediatamente após a colocação da placa, Luisa recua a língua, sela os lábios e visivelmente faz mimica facial…como querendo descobrir o que é isso afinal…
Foto de Elizabeth Yamasaki.
Selando fortemente os lábios!
Foto de Elizabeth Yamasaki.
E mesmo no momento em que os lábios entreabriram, a língua se manteve recuada!
Foto de Elizabeth Yamasaki.
E Luisa passou bastante tempo após a consulta de colocação da placa no consultório a fim de se ter absoluta traquilidade que ela estaria bem…Será que dá prá duvidar…será que não é de emocionar…
Foto de Elizabeth Yamasaki.
É de fundamental importância que haja o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar (Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Otorrinolaringologista, Pediatra, Terapeuta Ocupacional entre outros), somados ao interesse e dedicação dos pais ou responsáveis.
(…) Luisa tem apenas 2 meses…e se comportou como uma princesa!”

35 comentários em “A Placa Palatina de Memória”

  1. Parabéns pela matéria, muito importante, uma vez que esse tratamento é quase nada divulgado.
    Sou dentista e mãe de dois filhos. Léo de 11 anos e Carol de 1,7 ano, sendo esta última Down.
    Carol também usa um aparelho, más não a PPM, pois Carol nessecita de expansão da maxila. Tratamento super compensador, vale a pena.
    Adriana Casseb- Teresópolis-RJ

    1. Adriana, gostaria inclusive de atualizar esse post, porque quando o escrevi, não conhecia os efeitos do uso prolongado da placa palatina de menória na apneia do sono, então tenho que inserir essa informação, com base nesse estudo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/25931364/
      Hoje, com a dentição que Luisa já apresenta, estou em uma dúvida angustiante. Ela está com 1 ano e 1 mês e não sei se continuo na placa palatina, se inicio a expansão gradual ou se aguardo o momento da expansão rápida de palato. Se você tiver interesse, tenho algum material sobre o assunto e adoraria trocar figurinhas com você. Abraços

      1. Gisele, estou fazendo curso e me especializando no assunto. É apaixonante.
        Os profissionais que verdadeiramente trabalham com este assunto, não são ortodontistas e sim ortopedistas das funções dos maxilares ( os OFM), que não são tão comum de se encontrar. Aqui no RJ, temos profissionais de referências, que inclusive atendem pacientes do país todo.
        Sobre a questão de expansão da máxila da Luiza, primeiramente é necessário saber se há a necessidade, e caso haja, a expansão lenta é muito mais indicada, uma vez que vc estará atuando na prevenção, sem atrapalhar as funções musculares. Tudo é feito de uma forma que não lesamos nosso organismo. Já a disjunção é bem mais agressiva, atua mais na correção, deixando as funções musculares da boca desorganizadas devido a sua rapidez, sem contar que vc teria que aguardar até sua adolescência pra fazer.
        Qto a questão da apneia, vou procurar saber e depois te falo.
        Bjão Adriana

      2. Olá! Sou Ortodontista e gostaria de imagens da confecção dessa placa. Tenho um amigo cuja filha possui SD e ele mora no interior da Bahia, sem recursos e sem acesso a esse tratamento na capital. Se puder enviar para meu email serei muito grato.

      3. Olá Domingos,a odontopediatra da Luisa tem as imagens do passo a passo com as descrições técnicos completas, em um álbum no seu perfil do Facebook. Ela se chama Elizabeth Yamazaki. Nos álbuns de fotos há um álbum específico com o nome de Placa Palatina de Memória, extremamente detalhado. Pode consultar.
        Abraços

    2. Adriana Casseb, boa tarde. Pode me indicar profissionais aqui no RJ que atendem nossas crianças com a placa. Mais no centro dá cidade seria importante pra mim. Muito obrigada!

  2. Olá, Gisele! Sou uma futura mãe SD e só tenho a agradecer pelo seu blog. Devoro todas as postagens. Estou entrando no sexto mês e quero deixar tudo preparado para a chegada da minha Valentina. Aqui temos a Associação Novo Rumo, que conta com profissionais especializados em criancas autistas e com SD. Muito me interessa sobre a PPM. Sou de Recife e por aqui as pessoas não estão muito informadas acerca desse tratamento, infelizmente. Ainda não conversei diretamente com nenhum profissional de FONO, mas pesquisando por aqui não encontrei nenhum caso. Por acaso conheces profissionais que trabalham com as placas fora do teu Estado? De qualquer forma, parabéns pelo seu lindo trabalho com a Luisa! Abraços.

    1. Luciana, fico extremamente feliz da minha trajetória ajudar outras pessoas. Parabéns pela Valentina. Você deve procurar em Recife odontopediatras ortodontistas, pois eles já têm experiência com próteses para correção. O que fiz em Belém foi procurar por professores universitários que também atendem em consultório. Outro lugar onde você pode encontrar referências é na ABO e no CRO. Fique à vontade para perguntar o que quiser, se estiver dentro daquilo que já conheci/vivi, terei o maior prazer em ajudar.

      1. Oi Gisele, obrigada pela tua atenção. Fiz como disseste e procurei uma odontopediatra, que embora não trabalhe com a PPM, disse que me ajudaria no que fosse necessário e que ia pesquisar mais sobre o assunto, inclusive me indicar profissionais que trabalhem com ela. É tão bom ver e saber que existem pessoas dispostas a ajudar! Fico muito feliz. Sei que ainda falta um tempinho pra Valentina vir ao mundo, mas quero deixar tudo preparado para sua vinda e quero fazer de tudo, assim como você, para que ela se insira da melhor forma possível nesse mundinho, não só deles, mas nosso também. Sou tua fã! Muito obrigada, mais uma vez e toda vez que eu precisar, venho te aperriar um pouquinho. Beijos.

      2. Olá Gisele!! Fiquei super interessada no seu post pois meu filho tem SD e já tem 1 ano e 5 meses e nunca usou a PPM, pois sou daqui de Imperatriz/MA e aqui não se escuta falar e nem tem profissionais que aplicam. Você mora em Belém? A Dra. Elizabeth Yamasaki tbm é de Belém? Se for, você pode me passar o contato de seu consultório para que eu possa agendar uma avaliação para meu filho!?
        Obrigada!!

  3. Olá, Gisele. Primeiramente, parabéns pelo seu blog. Depois que descobri que serei jma mãe SD, comecei a ler tudo sobre o assunto e descobri teu super blog. Estou entrando no sexto mês e à espera da Valentina. Muito me interesso pela PPM, mas pesquisando por aqui (sou de Recife), as pessoas não estão muito informadas acerca desse assunto, infelizmente. Sabes de profissionais que utilizam esse tratamento fora do teu Estado? Bem, mais uma vez, parabéns pelo blog e pelo trabalho lindo que vem desenvolvendo com a Luisa, é inspirador! Abraços.

  4. Olá tenho um filho com 6 anos e cinco meses faz fono una vês por semana nunca usou a placa , a fono e a dentista dele me garantiram que era desnecessário só que meu filho não consegue ficar com a boca fechada e tem muita dificuldades na fala, eu gostaria de saber ainda é possível ajudar meu filho? Obrigada.

    1. Oi Janete, apenas os odontopediatras é que fazem mesmo a indicação para o uso da placa. Há um outro recurso chamado expandir palatal, que também necessita da indicação de um odontopediatra.

      Abraços

      Gisele

  5. Olá Gisele, sou fono e tenho procurado conhecer mais da técnica de utilização dessa placa, esse artigo foi o mais claro até agora, vc poderia me dizer a revista em que foi publicado ou se tiver a cópia do artigo na íntegra para me enviar (sabrina.sad@gmail.com)? Desde já agradeço suas contribuições. Parabéns pela página!
    Abraços,
    Sabrina

  6. Olá… sou pai de uma gatinha com Down, e gostaria de informações sobre PPM no Espírito Santo. Caso tenham indicação de um profissional na cidade do Rio de Janeiro, também, por favor. Obrigado e tudo de bom para suas famílias!

  7. Adorei a matéria Gisele! Acho q foi a mais completa que já li, Luísa aos 2 meses!!! Minha Aurora vai colocar agora com 1 ano e 1 mês …não podemos iniciar antes devida cardiopatia …agora sim vamos iniciar essa espetacular placa! Que de certo por aqui …bjs

  8. Oi Gisele,
    Obrigada por compartilhamentos tão valiosos, você me ajuda demais…
    Tenho um filho com 10 meses com SD, gostaria de colocar esta Placa Palatina de Memória, sou de Teresina/PI já procurei bastante por profissional aqui que faça este tratamento para esta faixa etária, porém não encontrei…cheguei a ouvir de uma profissional que isto é trabalho de faculdade, ainda não acessível a todos.
    Pergunto-lhe: você conhece algum profissional no Piaui que trabalhe com esta placa? Caso não, Você pode me informar contatos aí de Belém de profissional que trabalham nesta área?
    De já agradeço e parabéns por este maravilhoso blog.
    Adna

  9. Bom dia…
    O que é este blog seu.. descobri só agora.
    Tenho um filho com 6 meses que tem Down, e queria saber se tens indicação de algum profissional aqui no Rio grande do sul

    obrigada
    Parabéns pelo blog maravilhoso!!!

      1. Jaqueline,

        Mil perdões. Agora que vi que é RS e não RJ. Me desculpe mesmo. Eu estou em uma correria louca aqui, arrumando mudança. Infelizmente no RS não conheço ninguém

        Bjs

      1. Oi Jaqueline, agradeco a referencia. Informo que estou muito empenhada em atender da melhor forma possivel os vossos bebes, extendendo minha pratica clinica a todo estado do RS. Atualmente estou dando inicio ao Projeto PADRINHOS DA REABILITACAO, para que as criancas de baixa renda tambem possam receber esses beneficios. Para isso, busco recursos e espero em breve comecar a divulgar, assim que outros padrinhos se habilitarem. Tenho interesse em cadastrar no projeto todos os profissionais brasileiros que trabalham com a tecnica, sendo compromisso destes fazerem uso desses recursos e os direcionando aos bebes de baixa renda. Meus sinceros agradecimentos. Espero que os colegas me procurem. Deixo aqui meu contato: 54 984023414.
        A organizadora deste blog meus parabens pelo trabalho.

  10. Olá Gisele, sou do RJ e meu filho hj tem 2 anos. Ainda estamos em busca de um tratamento odontológico adequado, ele usa a placa mas tenho.mts dúvidas… Depois dá dentição como ficou o tratamento dá Luisa?

    1. Oi Fernanda. Há dois meses nós iniciamos a placa móvel de expansão do palato, mas, interrompi porque Luisa teve duas crises seguidas de alergia, crises essas que foram muito fortes, então eu preferi não er que lidar com a placa no meio desse processo. Vamos retomar em breve.

      Beijos

  11. Boa tarde! Estou maravilhada com essa reportagem! Gostaria de saber se essa placa acrílica pode ser usada só em bebês? Pergunto porque meu filho tem atraso cognitivo, compreende bastante coisas mas, verbaliza muito pouco e, quando pequeno começou a falar só que depois parou É, ele não é autista. Hoje está com 14 anos e percebo que está com o lábio inferior um pouco flacido; qndo pequeno tinha laringomalacia, era hipotonico e, por ter laringomalacia a médica falou q ele iria demorar a falar, só que até hj não consegue É, quando falo para ele falar algo, ele balança a cabeça que não vai falar! Estou fazendo exercício do canudinho, as vezes toma suco outras vezes foi uma vitamina mais Grossa para ele exercitar a língua e a boca, descobri esse exercício na reportagem de uma fino. Gostaria muito da experiência de vcs; leio muito estou sobre buscando informação. Obrigada!

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