A opção pela dieta livre de glúten e de caseína

Vários estudos clínicos apontam para a alta incidência de Doença Celíaca (intolerância permanente ao glúten) entre as pessoas com síndrome de Down. Um deles, publicado ainda no ano de 2005 no Jornal de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria, é particularmente didático para que nós leigos possamos entender a dimensão da questão e pode ser lido neste link: http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n5/v81n5a06.pdf.

A Doença Celíaca, segundo este artigo e diversos outros, é uma importante causa genética do “desenvolvimento de retardo mental moderado” (em 2005 ainda se usava tais expressões e conceitos para se referir à deficiência intelectual). A alta incidência na síndrome de Down decorre das alterações imunológicas causadas pela atividade do cromossomo extra, que tornam os indivíduos com síndrome de Down mais suscetíveis a infecções recorrentes e doenças autoimunes.

O índice mais alto de incidência de Doença Celíaca na população com síndrome de Down, portanto, já é, por si só, um fator de alerta para os cuidadores de crianças com Down e para as pessoas que possuem a síndrome, pois é mais um fator causador de deficiência intelectual. Porém, há ainda mais dois fatores agravantes.

O primeiro deles é que, como dito no artigo indicado, a doença pode ocorrer de forma silenciosa ou latente. Ou seja, é possível que uma pessoa com síndrome de Down e Doença Celíaca esteja sofrendo mais comprometimento de sua capacidade cognitiva sem que se consiga sequer perceber, pois pode ser que não haja sintomas clínicos indicativos de que algo esteja errado.

O segundo fator agravante é que, muitas vezes, os sintomas da Doença Celíaca, quando se manifestam apenas através de episódios gástricos como refluxos e vômitos, se confundem com características atribuídas à própria síndrome.

Então é possível que a pessoa com síndrome de Down tenha Doença Celíaca, não apresente sintomas clínicos ou apresente apenas sintomas gástricos que passem despercebidos, por estarem associados às próprias manifestações da síndrome, estejam sofrendo ainda mais perdas cognitivas e ninguém faça qualquer associação com o problema real.

Ao tomar conhecimento dessas informações resolvi não correr tal risco e decidi que quando Luisa iniciasse a introdução de alimentos, sua dieta alimentar seria livre de glúten.

Porém, a partir dos quatro meses de idade Luísa começou a manifestar sintomas de alergia à caseína (proteína do leite de vaca) e a outros alimentos (essa é uma outra história, que será objeto de um outro post) e a decisão de introduzir uma dieta livre de algumas substâncias apenas foi antecipada.

Assim, desde o início dos seus cinco meses substituí em sua alimentação o leite de vaca por leites vegetais e o glúten permanecerá afastado de sua alimentação permanentemente.

Luisa é muita preciosa para que sua capacidade cognitiva e sua saúde sejam colocadas em risco por alimentos que podem ser facilmente substituídos. E todo um universo de alimentação funcional e dieta livre de glúten e de caseína se descortinou, com novos desafios, novas parcerias e novas trajetórias.

Luisa no dia em que completou 4 meses, marco do início das manifestações da alergia alimentar que anteciparam os novos rumos da sua alimentação
Luisa no dia em que completou 4 meses, marco do início das manifestações da alergia alimentar que antecipou os novos rumos da sua alimentação

4 comentários em “A opção pela dieta livre de glúten e de caseína”

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