Eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem. Ou: senta que aí vem textão

A pesquisa sobre imunodeficiência congênita na síndrome de Down realizada pela equipe da Dra. Magda Carneiro Sampaio, que citei na postagem anterior, me causou um impacto muito grande. Bom, mas isso não é novidade, porque quase tudo na síndrome de Down era completamente desconhecido pra mim. Só que eu sequer sabia o que era timo, a glândula estudada naquele trabalho. Sequer sabia que eu tenho um timo, que é uma das sete glândulas endócrinas do nosso corpo e exerce uma função super relevante para o sistema imunológico.

Artigo publicado na Revista de Pesquisa da FAPESP em janeiro de 2012, traz as seguintes informações:

Órgão pequeno e achatado em forma de borboleta, o timo se situa no tórax, atrás do osso esterno e à frente do coração, e funciona como uma escola de treinamento de guerra. É ali que um grupo especial de células de defesa – os linfócitos T, responsáveis por orquestrar o combate a infecções e a eliminação de células doentes – aprende a distinguir o que integra o próprio corpo e deve ser preservado daquilo que vem de um organismo estranho e deve ser exterminado.

Quando o timo funciona bem, os linfócitos que passam por esse treinamento e se mostram capazes de reconhecer e atacar as células do próprio organismo são destruídos ali mesmo – a morte é o destino de 95% a 97% dos linfócitos T. Só saem do timo para a circulação sanguínea e a linfática os 3% a 5% restantes dos linfócitos, que demonstram ter a habilidade de identificar e atacar apenas os agentes infecciosos, os compostos estranhos ao corpo ou as células defeituosas. Na síndrome de Down, porém, esse rigoroso sistema de preparo e seleção celular encontra-se desbalanceado.

Porém, nem precisamos recorrer a bases de dados acadêmicas. Qualquer pesquisa básica sobre o Timo no Google nos apresenta todas essas informações, e mais, nos informa que o timo ocupa um lugar de destaque nas filosofias espiritualistas e visões de mundo holísticas, especialmente pelo papel conferido a esta glândula pelas civilizações clássicas. Timo vem do grego THYMUS, que quer dizer ENERGIA VITAL. Muita calma nessa hora!

Glândula Timus jpg

Então ficou claro pra mim o tamanho da minha ignorância. Mas, imaginei que nem todas as famílias de pessoas com síndrome de Down tivessem a informação sobre os problemas no timo decorrentes da trissomia, pois a pesquisa é ‘relativamente’ recente e, infelizmente, a circulação de informação científica entre Academia e consultórios médicos nem sempre ocorre em tempo razoável.

Porém, acreditava que ao menos as famílias das pessoas submetidas à cirurgia cardíaca, procedimento que retira o timo, soubessem do que se tratava, já que, se o timo é retirado durante a cirurgia cardíaca que ocorre, em regra, quando ainda são bebês e, diante das importantíssimas funções do timo para o sistema imunológico, acreditava que as famílias recebessem a informação da retirada e ainda que fossem orientadas sobre o que fazer para minimizar o impacto desta perda. E lembro de ter completado o raciocínio da seguinte forma: ok, há alterações no funcionamento do timo das pessoas com síndrome de Down, mas certamente já há algo que o substitua, pois um grande percentual de crianças com síndrome de Down o perde ainda bebês há décadas e, obviamente, algo é feito para equilibrar o funcionamento do sistema imunológico sem timo. Esta mesma solução talvez se aplique às pessoas que não passaram por cirurgia cardíaca e auxilie no equilíbrio do sistema imunológico de todos.

Com essa conclusão super esperançosa em mente, descobri que nenhuma das mães de crianças que passaram por cirurgia cardíaca em  minha cidade, que conheço, sabiam de alguma das informações acima. Decidi, então, escrever algo sobre o assunto aqui no Blog, mas os meses de dezembro e janeiro foram super intensos, pois, em conjunto com outras mães, criei uma Associação na minha cidade, voltada à promoção da melhoria da assistência à pessoa com síndrome de Down, ao auxílio às pessoas de baixa renda e à disseminação de informação como estratégia de combate à discriminação, à exclusão, ao preconceito e a segregação das pessoas com síndrome de Down, Então eu realmente estava (e estou) muito ocupada, ficando sem tempo para postagens.

E é nesse ponto que entram as coincidências. Há alguns dias se juntou à Associação Singularidade Down uma bela mulher, uma das mais belas mulheres que já conheci na vida, Fabiana, uma mulher que adotou um bebê com síndrome de Down, que está hoje com dois meses. E ele apresenta algumas manifestações de pele muito similares às apresentadas por Luisa, em razão do seu quadro alérgico. Então parei para separar referências bibliográficas, textos explicativos, artigos científicos, enfim, qualquer coisa que pudesse ajudá-la. E percebi que as postagens do Blog foram suspensas justamente no momento em que estava abordando a alergia da Luisa e as mudanças na sua alimentação. E que a postagem da vez era a que fazia a relação entre alergia e sistema imunológico, que decidi abordar utilizando as conclusões apresentadas na pesquisa do timo. No dia em que Fabiana esteve em minha casa, prometi a ela que naquela mesma madrugada faria a postagem. E a fiz.

Foi então que, menos de 24 hs depois de ter postado, o assunto do timo veio à tona em um fórum internacional de discussão de que faço parte à convite da queridíssima Carol Rivello. E eis que no tópico sobre o assunto, algumas debatedoras compartilharam a informação de que já existem suplementos especificamente voltados para o suporte da atividade do timo. Foram feitas referências a dois: o ProThyma, da Nutrivene, e o Nutricology Thymus, da Iherb. Coincidência, não? Tudo tão sincronizado…… Lógico que não estou indicando os suplementos. Há muito ainda a pesquisar e entender sobre o assunto e sobre esses produtos. Minha empolgação é saber que há o pesquisar e entender. Que o caminho já foi aberto. Que outras pessoas pensam e debatem sobre o assunto. Que não estamos sós.

ATUALIZAÇÃO: HÁ A INDICAÇÃO DEMAIS UM SUPLEMENTO, O PROBOOST

6 comentários em “Eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem. Ou: senta que aí vem textão”

  1. Minha filha nasceu com tetralogia de fallot e fez a cirurgia cardíaca com 8 meses.
    O pediatra/geneticista, cardiologista que a acompanha e o cirurgião cardíaco, são profissionais super conhecidos e que atuam em SP. E para meu espanto , nenhum me alertou sobre a retirada do Timo.
    Vou me aprofundar nesse assunto e fazer de tudo para minimizar as consequências.
    Gisele, obrigada por compartilhar as informações. Bjo gde !

  2. ola minha filha e sindrome de down .nao sabia disso fiquei preucupada .mas ela tem uma saude d ferro .nao tem problema nem um .graças a deus.sera q tds tem.

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