A primeira papinha ‘salgada’ e o ômega 3

Passei um mês inteiro planejando como seria a primeira comidinha ‘salgada’ da Luisa. Desde o início do quinto mês, quando a Nutróloga escreveu no receituário que ela ganharia de presente de seis meses um ‘caldo de peixe’, que me pus a elaborar o cardápio.

De início ficaram de fora os vegetais que impedem a absorção do iodo, por recomendação do Dr. Zan. São eles couve, repolho, folha de mostarda. Também ficou de fora o espinafre, pela alta concentração de antinutrientes que possui, e a soja, em razão das isoflavonas. Depois passei à lista dos alimentos que devem constar de todas as refeições: uma leguminosa, um grão, legumes coloridos, alga marinha e, quando o prato estiver montado, um fio de óleo de côco para regar.

Optei por alternar a quinoa com o arroz negro e não o branco ou integral em razão da maior concentração de nutrientes no primeiro, na proporção de quatro dias de quinoa para três dias de arroz negro por semana e, entre as leguminosas, optei repetir duas vezes na semana o grão de bico, em razão da sua ação antioxidante. As hortaliças e ervas uso em abundância e procuro variá-las. Todas as leguminosas e grãos são deixados de molho desde a noite anterior ao preparo, para reduzir a ação dos fitatos presentes nesses alimentos, que impedem a absorção dos diversos nutrientes. Já constatei através dos exames laboratoriais que Luisa tem um metabolismo que não favorece a absorção de nutrientes, o que é bastante frequente na síndrome de Down, em razão da superexpressão gênica causada pela trissomia. Então procuro evitar que outros fatores de redução da absorção ocorram, especialmente se puderem ser facilmente evitados, como na situação dos fitatos.

As proteínas inicialmente eram peixe, ovo e galinha caipira, porém, diante da incerteza sobre a procedência do peixe e o risco do mesmo apresentar contaminação de mercúrio, com o tempo substituí a oferta de peixe pela suplementação diária de ômega 3, na proporção de, no mínimo três porções de DHA para uma porção de EPA.

A oferta de ômega 3 é de extrema importância para as pessoas com síndrome de Down, pois contribui decisivamente para a formação da mielina, a membrana lipídica esbranquiçada que recobre os neurônios e que exerce um papel fundamental no raciocínio. Mesmo que Luisa pudesse consumir castanha do pará contra a contaminação de mercúrio (o que não pode porque é alérgica), e portanto continuasse comendo peixe, mesmo assim eu manteria a suplementação de DHA/EPA, devido a importância da função que desempenham, especialmente diante do comprometimento intelectual da síndrome de Down.

Mas as primeiras comidinhas salgadas foram peixe. Retirei os filés, deixando bastante carne ainda nos nossos e pele e fiz um caldo da cabeça, da pele (onde há a maior contração de ômegas) e dos ossos, com ervas e temperos. Depois de frio, coei o caldo concentrado e gelatinoso e reservei à parte, em recipiente adequado, na geladeira, para usar como base do preparo da comida diariamente. E a primeira ‘papinha’ foi feita com cubos de peixe, um tempero, legumes de duas cores e quinoa, cozidos no caldo de peixe. Os outros elementos foram acrescentados aos poucos, um a cada dois dias, sempre observando as reações.

O único problema é que a recomendação do Dr. Zan era a de que a introdução de alimentos iniciasse apenas quando surgisse a dentição, então passamos um mês desobedecendo esta recomendação, porque somente no dia em que fez sete meses surgiram as pontinhas dos dois primeiros dentinhos da Luisa. Tentei fotografar os dentinhos no dia que irromperam, óbvio que não consegui, como é possível ver abaixo hehehheh:

IMG_1769

Não sei explicar de onde vem minha empolgação com a alimentação da Luisa, mas não foi só com ela. Eu realmente gosto disso. Lembro quando o Heitor era bebê e eu ficava horas envolvida no mesmo processo. Que bom que gosto. É bacana quando fazemos com prazer.

6 comentários em “A primeira papinha ‘salgada’ e o ômega 3”

  1. Oi Gisele, td bem? Qual a dose diária de ômega 3 pra bebês? Meu tem 7 meses, queria começar a dar, onde vc compra? Qual marca? Como faz pra dar? É o óleo de coco? Compra em cápsula? Bj obrigada! Estou mto ansiosa pela resposta

    1. Oi Priscila. Eu comecei o óleo de côco e o óleo de peixe aos seis meses. O óleo de côco eu uso o extravirgem, e coloco uma colherinha de café na comida, onde também coloco o óleo de peixe (o bom é que também ajuda a disfarçar o odor do óleo de peixe, que é terrível). O óleo de peixe que dou tem 500 de DHA e 100 de EPA. Atualmente estou usando o da Naturalis, comprado na Weleda, mas já adquiri outro com a mesma dosagem comprado em uma farmácia de manipulação aqui de Belém, que tem minha inteira confiança (o óleo de peixe não pode estar contaminado por metais pesados), a Personale. Abraços

      1. Oi Gisele
        O óleo de peixe que você introduziu na alimentação aos 6 meses, era uma cápsula por dia?
        Obrigada

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