Ainda sobre o leite animal. Ou quando a falácia da autoridade encerra a discussão

Como já relatei anteriormente, desde os 5 (cinco) meses Luisa não toma leite de origem animal, que foi substituído por leite vegetal, inicialmente o de amêndoas e posteriormente o de avelãs. Por volta dos sete meses, em visita a uma nova pediatra, fui questionada quanto à opção de substituição do leite. Argumentei que Luisa apresentava fortes indícios de alergia à caseína, ao que a pediatra respondeu que isso não era problema, porque há fórmulas infantis hidrolisadas, em que a proteína do leite animal está ‘quebrada’, razão pela qual não haveria reação. A pediatra disse ainda que a resistência ao leite animal era mais uma questão de ‘modismo de nutricionista’.

Então eu contra argumentei explicando que o  problema do leite animal não era apenas a caseína, que há ainda o problema do excesso de hormônios e outras substâncias inadequadas envolvidas na fabricação do leite animal, já que os animais produtores são submetidos à estimulação hormonal permanente para produção de leite, e que esses hormônios em muito prejudicam o metabolismo da pessoa com síndrome de Down, um metabolismo que já tem um arranjo todo peculiar dada a presença de material genético a mais. Me dispus a disponibilizar materiais científicos que corroboram o argumento. E novamente ela me respondeu que as fórmulas infantis, atualmente, são fabricadas mediante um rígido controle de substâncias (!) e que, certamente, tais elementos seriam identificados e isolados durante o processo de fabricação da fórmula.

Eu então repliquei explicando que, mesmo que fosse este o caso, o cálcio do leite animal é pouco biodisponível no ambiente ácido do sistema digestivo, diferente do cálcio do leite de avelãs, por exemplo, que é totalmente biodisponível. Novamente ofereci material científico de apoio. Ela me respondeu, então, que as fórmulas infantis recebem suplementação de cálcio!!!!!! Nesse momento, além de atônita, fiquei meio preocupada, mas não permaneci neste argumento, mudei para outro, disse que o leite animal ativa a ação dos fitatos, e que a minha filha, assim como muitas das pessoas com síndrome de Down, têm a absorção de muitos nutrientes alterada, e que eu tinha o maior trabalho de deixar tudo que era grão e leguminosa de molho desde a noite anterior ao preparo, justamente para diminuir a ação dos fitatos, pelo que não fazia sentido agir em sentido contrário depois, ofertando leite animal. Disse que podia passar a ela várias pesquisas científicas que confirmavam esta tese. Foi quando ela me respondeu que, se eu já diminuía a ação dos fitatos, então aí é que não haveria mais motivos para deixar de ofertar o leite animal!!!!

Já incrédula no que estava acontecendo, percebi que minha estratégia é que tinha que mudar. Saquei meu celular, coloquei esta página da internet pra ela: http://www.dsmig.org.uk/library/articles/mims.html, expliquei quem era o Down Syndrome Medical Interest Group, e pedi a ela que lesse o oitavo parágrafo da página, onde há expressa recomendação de retirar os produtos lácteos das pessoas com síndrome de Down, para redução da produção de muco, já que a congestão é um dos principais problemas médicos nesta população. E esta recomendação, revisada, está publicada desde o ano de 2001.

Acabou a controvérsia. Como foram médicos que subscreveram a ordem, ela a aceitou. Saí do consultório em um misto de vergonha por ter usado uma falácia pra encerrar o debate, a falácia da autoridade do saber, e aliviada por ter acabado a consulta.

E o resultado é que ainda busco uma pediatra em minha cidade. Até lá, temos que enfrentar os 3.000 kms que nos separam do consultório do Dr. Zan.

Como não fiz o registro fotográfico desse dia, deixo como ilustração uma imagem que adoro, quando Luisa estava com 7 meses, e que mostra o encantamento que existe entre ela e sua terapeuta ocupacional, Dra. Renata Teixeira. Que essa aflição de não ter pediatra local seja breve. Que a jornada seja leve, assim como as bolhas de sabão da sessão de Terapia Ocupacional da Luisa. Amém.

Luisa e Dra Renata

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