Compensando as frustrações

Existe um programa de desenvolvimento neuromotor, com a utilização de esteiras, para crianças com síndrome de Down e autismo, desenvolvido pela equipe chefiada pelo Dr. Dale Ulrich, da Universidade de Michigan. Aqui o link para a publicação: http://pediatrics.aappublications.org/content/108/5/e84.full

A condição para o início do programa é que a criança já sente sozinha, sem apoio, por pelo menos 30 segundos. Então, como Luisa sentou aos seis meses, eu imaginava que no máximo aos sete já estaríamos aplicando o programa de esteiras, sobre o qual eu já vinha conversando há tempos com a Dra. Lilian Fialka. Porém, a esteira adequado para o programa, apesar de poder ser uma esteira comum, tem que funcionar em uma determinada velocidade mínima, conforme as especificações do protocolo. E não encontramos essa esteira em Belém. Assim, os sete meses da Luisa foram chegando ao fim, dando lugar ao oitavo mês, sem que surgisse uma solução. Foi muito frustrante.

Esses momentos de frustração me trazem muitos sentimentos negativos, especialmente o sentimento de impotência. Tentei buscar motivos pra pensar positivo, do tipo: ‘é até bom que a esteira não comece agora, porque ela tem que arrastar dissociado antes de engatinhar, então vamos focar no arrasto antes de colocá-la pra caminhar na esteira’ (típica auto enganação, pois oito minutos diários de treino de esteira não são suficientes pra desestimular o arrasto!).

Mas, por outro lado, essa frustração causou uma redução na velocidade das coisas por uns dias, os dias em que fiquei ‘amuada’. E por ter diminuído a velocidade, pude perceber algo que eu via acontecer, mas que estava deixando de conectar: o avanço e a melhora na qualidade da comunicação da Luisa com todos a sua volta. E essa conexão veio em um estalo, por causa de um vídeo caseiro feito pela minha filha mais velha, a Amanda, de um verdadeiro drama da Luisa porque não lhe deram batatas fritas hehehehe. Eis o vídeo: 

Repentinamente percebi que ainda não dava o devido valor e importância à capacidade da Luisa em se expressar e passar de forma muito clara sua mensagem, que nesse caso era a de descontentamento (e gula rsrs). Então foi aí que fiz a relação desta situação com outras ocorridas anteriormente, como uma conversa matinal com a irmã quando ela ainda tinha  quatro meses de idade:  

Ou uma conversa com a mão, aos cinco meses, quando estava visivelmente tonta de sono: 

Enfim, são vários os exemplos e filminhos. O que me pareceu relevante foi perceber o quanto eu estava deixando de lado o todo, para fixar meu olhar em partes. Não começamos o programa de esteiras como estava planejado? Tudo bem, porque, para além disso, ela está tendo um ótimo desenvolvimento, como é possível perceber da eficiência da sua comunicação.

E dessa forma os sete meses se foram com mais leveza. E muita beleza. E muita felicidade, como podemos ver dos sorrisos francos e gargalhadas no dia em que completou os oito meses, em imagens meio desfocadas porque ela não parava quieta.

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2 comentários em “Compensando as frustrações”

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