As mudanças e conquistas ao tempo dos doze meses

No que se refere à suplementação e oferta de alimentos, houve muitos acréscimos no período próximo aos doze meses (entre dez e quatorze meses). De fato, aos seis meses já havíamos iniciado a oferta, à Luisa, de suplementação de vitaminas, minerais e enzimas (Nutrivene D completo), além do óleo de côco, óleo de castanha do Pará, azeite de oliva, ômega 3 e algas marinhas nas refeições. Começamos com parte da dose diária e aumentamos gradativamente até atingir a dosagem recomendada para o seu peso. Então, na verdade, o que houve foi uma continuidade desse processo, com oferta de outros suplementos.

Entre 9 e 10 meses, iniciamos a oferta de Curcumin, em razão da sua comprovada eficácia contra a formação de placas de proteína beta amiloides, que caracterizam o Mal de Alzheimer.

Aos doze meses iniciamos a oferta de semente de cacau seca, uma por dia, em razão da ação antioxidante de seus polifenóis e também da serotonina nele presente.

E aos treze meses iniciamos a oferta de geleia real. Mesmo sabendo que a restrição ao consumo antes dos doze meses, por causa do botulismo, se refere ao mel, preferi ter cautela e esperar o mesmo prazo para ofertar a geleia real.

Pretendo, em outros posts, explicar porque decidimos, junto com os profissionais de saúde que a acompanham, por cada um desses suplementos.

Paralelamente, já havíamos iniciado a transição da papinha de bebê para refeições com ingredientes mais sólidos, mais consistentes, em pedaços e separados. A partir dos oito meses ensaiei uma tentativa de BLW, mas que não estendi à comida salgada, em razão dos suplementos que adiciono, como os óleos, azeites e algas. Lentamente passamos a amassar cada vez menos as leguminosas, grãos e legumes. A partir dos doze meses, com muita relutância da minha parte, incorporamos um dia de carne vermelha. Os outros alimentos se mantiveram e o cardápio ficou com cinco dias de peixe, um dia de frango e um dia de carne vermelha. A dentição estava (e ainda está até hoje, com os atuais vinte meses) sem atrasos, então a questão da mastigação passou para prioridade na alimentação.

É incrível como nos habituamos à rotina da alimentação da Luisa. Automaticamente já colocamos as leguminosas e grãos de molho na noite anterior, pra retirar os fitatos, e já sabemos o que evitar por conter muito oxalato. Fitatos e oxalatos são antinutrientes que interferem na absorção de minerais, então temos muito cuidado com esse aspecto da alimentação porque o comprometimento imunológico da Luisa é fato, por isso garantir a absorção do zinco dos alimentos e suplementos é prioridade.

E eu tenho uma saída para quando esqueço de por os grãos e leguminosas de molho. Quando isso acontece, faço massa.  Espaguete, pene ou qualquer outra massa de grão de bico, ou amaranto, ou de quinoa, desde que seja sem glúten.

Alheia a todas essas questões, inclusive ao Spasmus Nutans, Luísa se encarregava apenas de ficar cada dia mais linda e esperta. Essa é a parte que lhe cabe na nossa aventura.

Aos 13 meses me chamou de mamãe a primeira vez e eu quase tenho um troço. Até então ela só chamava papai – papá. E chamava o tempo todo. Eu ficava arrasada, lógico. Quando completou doze meses falava sete palavras identificadas e nenhuma era mamãe. Até sua cuidadora, nossa querida Neiva, ela já chamava de Dedé – e nada de mamãe. Quando queria chamar minha atenção, me chamava de TÊ. Eu era a Tê. Então uma noite eu estava conversando com a Amanda no WhatsApp   (minha filha mais velha) e quis mostrar a ela que naquele dia Luisa tinha passado do horário de dormir. Daí mandei pra Amanda uma foto do que ela estava fazendo, brincando com o umidificador. Assim que enviei a imagem (essa que está reproduzida abaixo) Luisa me olhou e disse mamã. Fiquei muito emocionada, lógico, pois o fantasma da dificuldade de fala na síndrome de Down está sempre à espreita. Além disso eu sou muito dramática, o que também ajuda.

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Também aos treze meses ela já mostrava o dedinho indicador pra dizer que tinha um ano e adorava fazer as coreografias das músicas infantis que ensinávamos a ela. Interessante é que ela parou de mostrar o dedinho de um ano por um tempo e só voltou a fazê-lo por volta dos dezoito meses. Mas segue o registro do início, resgatado do Instagram (bendita rede social de imagens. Muita coisa ficou registrada por lá):

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Acho que foi uma boa decisão, bastante prudente, porque evitou que eu mordesse muito aquele dedinho gordo, que é o que tenho vontade de fazer cada vez que ela mostra. Inclusive, tinha que me controlar cada vez que ela cobria o rosto pra mostrar que “tem muito medo do gavião”, no início. Mas é só olhar o vídeo de quando ela estava com treze meses pra ver o quanto era realmente difícil se segurar pra não morder as mãozinhas:

Por um lado, lógico que quero que ela cresça e avance no desenvolvimento. Por outro, queria que esses momentos não desaparecessem……..

Nesse período Luisa também começou a se soltar dos móveis, a ficar em pé sem apoio e a ensaiar os primeiros passinhos. Mas isso é assunto pra um outro post……..

4 comentários em “As mudanças e conquistas ao tempo dos doze meses”

  1. Olá Gisele. Adoro seu blog e acompanho todos os seus posts. Sou nutricionista e confesso que estou aprendendo muito primeiro com o Lucas, meu pequeno de 1 ano e 1 mês que também tem a Síndrome de down e segundo com você. Queria saber como você está inserindo a alga na alimentação da Luisa, tentei colocar em preparações para o Lucas, mas o sabor não ficou muito agradável. .. Abraço e obrigada

    1. Oi Carina, que bom ler suas palavras, obrigada. Adorei que vc é nutricionista. Estava nesse momento mesmo dizendo a uma amiga que entendo que a alimentação é um dos pilares do bom desenvolvimento da pessoa com síndrome de Down. Eu uso a alga da seguinte forma: cozinho a leguminosa do dia sem sal e, quando fica pronta, apago o fogo, coloco uma colher de sopa de alga bem picadinha (sem lavar pra não perder o iodo) e tampo pra alga amolecer só com o calor. Já usei a Hijiki, a Kombu e a Nori. Ainda falta usar uma espécie. A agar agar fiz gelatina apenas uma vez. Umas têm o cheiro e o paladar mais forte que outras. Eu, pessoalmente, tenho muita restrição a odor de tudo que vem do mar. Como rego o prato da Luisa com uma colher de sobremesa de óleo de côco, o perfume e o sabor do óleo de côco ajudam a disfarçar um pouco. O que ajuda muito também é que uso muitas ervas perfumadas, especialmente a chicória, em razão da sua ação prebiótica, então o prato fica um pouco mais perfumado.

      Eu oferto algas diariamente, como suporte à função tireoidiana, pelo ômega 3 e pelos minerais que elas ofertam.

      Fique à vontade para perguntar. Abraços

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