A Carol Rivello “genérica”

Todas as mães de crianças com síndrome de Down constatam, desde muito cedo, o quanto é importante termos diversos recursos de estimulação sensorial e psicopedagógica para as atividades dos pequenos.

Quando Luisa nasceu, percebi que minhas novas amigas, algumas mães das crianças com síndrome de Down da minha cidade,  mandavam muito bem nesse quesito. Minha amiga de fé, irmã camarada, companheira topa tudo, Patrícia Batista, mãe do Heitor,  confeccionava ímãs de geladeira, imprimia imagens, montava jogos etc. uma coisa impressionante. Algumas são artesãs surpreendentes, como a Elizabeth Albuquerque, mãe da Helena, que faz coisas ma-ra-vi-lho-sas.

Outras amigas, fisicamente distantes mas de cotidiano muito próximo graças às facilidades da comunicação na era digital, fazem coisas inacreditáveis e ainda elaboram receitas sensacionais, como a Karla Lima e seus já famosos biscoitos zero gluten é zero caseína.

No universo dos Blogs nacionais, não existe como a Carol Rivello. Carol é capaz de pegar qualquer simples caixa de papelão e transformar em um recurso que estimule no mínimo uns cinco sentidos ao mesmo tempo (seis para as crianças que comem o papelão). Incrível. É um dom. Na verdade ela é uma X-man (deveria ser X-woman) ☺️.

Enquanto isso, na escala de criatividade e coordenação motora, estou abaixo da linha mediana, na parte em que se marca pontos negativos, ou seja – fico devendo. Mas, quando Luisa fez um ano, precisei confeccionar o famoso álbum da família 😅. E lá fui eu. Como sempre, procurei o que tinha no blog da Carol, o Nossa Vida com Alice, porque lá tem de tudo o que vc precise. Daí, lógico, encontrei logo um álbum todo lindo pra servir de inspiração.

Como o fracasso da tentativa era evidente, nem tentei fazer naquele nível, claro. Não que seja difícil, ao contrário, é até bem fácil de fazer. Mas é que eu não levo jeito mesmo, estou na classificação “desastre”. Então comprei um fichário desses de arquivo de escritório e mandei encapar com tecido xadrez rosa porque sou óbvia e perco essas excelentes oportunidades de desconstruir o estereótipo das cores rosa pra menina e azul pra menino. Pedi pra colarem o nome da Luisa na frente, uns coraçõezinhos que já deveriam ter sido preenchidos com fotos e parti pra segunda etapa, imprimir as fotos, plastificar e furar o plástico. Eis o resultado:

Fiquei contente com o produto final e parti pra fazer um outro álbum, dessa vez o de animais, pois, por mais que existam inúmeras publicações já prontas que podemos mostrar, é recomendável que eu reproduza as orientações do Método Doman em tudo que se refere à leitura, já que Luisa faz o Doman. Então, para efeitos de padronização, a publicação deve estar com as dimensões, tamanho da fonte, cor etc, em conformidade com o que recomenda o Método, por isso o indicado para o nosso caso é confeccionar mesmo. Quando estava conversando com o rapaz que imprimiria as imagens, ele me perguntou se eu não preferia confeccionar em um material mais maleável, pra que Luisa não corresse o risco de se machucar (realmente a fotografia plastificada fica “dura”). E me sugeriu imprimir em lona, dessas em que se imprime banner de publicidade. Resolvi testar a ideia com um primeiro livro de doze animais, cujos nomes vinham impressos embaixo, seguindo as orientações do método Doman (letra imprensa  vermelha para criança até 2 anos).  As pequenas folhas do livro são presas com argolas de metal compradas em lojas de ferragens e os furos são feitos com furador comum. Gostei bastante do resultado (e do preço, sai bem baratinho)  que pode ser conferido abaixo, e o adotei como formato dos livrinhos da Luisa:

Por sugestão da Terapeuta Ocupacional da Luisa, Dra Renata Teixeira, trocamos o lugar das argolas para a lateral, para que Luisa o folheasse também. Então confeccionei logo um segundo livro com animais, desta feita com um número bem maior de páginas e letra preta,  indicada par crianças maiores de dois anos, para quando Luisa chegasse a essa idade. Mas às vezes era inevitável que ela se interessasse justamente pelo livro com as letras pretas, como se vê no  vídeo abaixo, em que ela estava com 15 meses. Eu não a impedia e não a impeço. Mas, quando posso evitar sem que ela perceba, evito.

Gostei  muito da experiência de confeccionar as coisas pra Luisa. Me sinto fazendo parte do processo, envolvida emocionalmente, psicologicamente, fisicamente (todos os mentes) com o seu desenvolvimento. Indico a todos os pais, parentes e cuidadores de crianças com síndrome de Down fazerem o mesmo, pois as pessoas mais próximas, por conhecerem melhor as preferências das crianças, sabem o que vai funcionar melhor pra cada caso. Mesmo que a artesã não seja lá muito hábil, como eu, que por essa razão “terceirizei” a tarefa, mesmo assim, o fato de ser uma ferramenta personalizada, nos moldes das demandas e preferências da criança, faz toda a diferença.

 

 

3 comentários em “A Carol Rivello “genérica””

  1. Estou emocionada, parabéns Gisele por compartilhar conosco, por abrir sua vida, suas experiências. Vejo o quanto eu necessitava de orientação, mesmo com a internet eu não tinha foco, ficava pesquisando as mesmas coisas, e com sua ajuda hoje eu pude dar sentido, e aos poucos eu chego lá. Nunca tinha ouvido falar nesse método. Obrigada.

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