A suplementação de curcumin

Expus nos posts anteriores as razões pelas quais considero que a decisão de ofertar vitaminas, enzimas, minerais, proteínas e outros nutrientes e substâncias à Luisa, como o curcumin, encontra respaldo em uma abordagem terapêutica distinta da que é comumente praticada.

Com fundamento naquele entendimento, aos 9 meses demos continuidade à suplementação voltada às especificidades da síndrome de Down iniciando, com supervisão médica, a oferta de curcumin.

Para entendermos a importância do curcumin para as pessoas com síndrome de Down, é necessário abordarmos a relação que existe entre a síndrome e a doença de Alzheimer.

A partir da década de 60, quando ainda, infelizmente, era comum denominarem a síndrome de Down de mongolismo (como neste artigo de 1969: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/4237656), passando pela década de 70 (Ver esta pesquisa de 1973: https://www.researchgate.net/publication/18895179_The_development_of_the_pathologic_changes_of_Alzheimer%27s_disease_and_senile_dementia_in_patients_with_Down%27s_syndrome_Am_J_Pathol_73_457-476) as pesquisas científicas constatam que, por volta dos 40 anos, a grande maioria dos indivíduos com síndrome de Down já apresenta placas beta amilóides e emaranhados neurofibrilares indistinguíveis dos que caracterizam a DA (doença de Alzheimer).

Esta é a conclusão desta pesquisa de 1985: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3158266; e desta outra pesquisa de 1998: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9527899. Nesta última, os pesquisadores encontraram tais manifestações em criança de 8 (oito) anos de idade (pesquisas mais recentes já encontraram placas em crianças mais novas, a partir de seis meses).

Muitas outras pesquisas, quando analisadas em conjunto, constataram que, a partir dos 50-60 anos, muitos indivíduos com síndrome de Down desenvolvem a demência do Alzheimer, o que ocorre entre 50 a 70% da população com síndrrome de Down, a partir dos 60 anos. Eis algumas delas:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3159974
http://www.karger.com/Article/PDF/106883
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2527024
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10900935
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11553933

Assim, até a primeira década dos anos 2000, as pesquisas já indicavam que:
– grande parte (senão a totalidade) das pessoas com síndrome de Down já terão desenvolvido duas características do Alzheimer até os 40 anos (placas e emaranhadas), com início aos 30 em grande parte dos casos;
– metade ou mais da população com síndrome de Down desenvolve a demência do Alzheimer a partir dos 50 anos.

Um arquivo muito bom sobre o assunto e de leitura imprescindível, é o da MEDSCAPE: http://emedicine.medscape.com/article/1136117-overview#a1

Diante desta alta propabilidade, e, diante da inexistência de cura para a doença de Alzheimer, foi importante pra mim conhecer todas as possibilidades de prevenção damanifestação clínica da doença de Alzheimer nas pessoas com síndrome de Down.

E uma dessas possibilidades é o curcumin, mas não a única. Em primeiro lugar é importante dar prioridade à qualidade de vida, com autonomia, como é possível constatar da conclusão desta revisão científica sobre o uso da reabilitação cognitiva nesses casos, feita por pesquisadores brasileiros: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4608651/

Eis parte da conclusão:
“Por causa da alta probabilidade de DA (Doença de Alzheimer) em indivíduos com síndrome de Down e a incerteza quanto à eficácia dos tratamentos farmacológicos, intervenções de reabilitação cognitiva que se concentram na prevenção e atenuação do desenvolvimento da doença de Alzheimer e que podem ser realizadas nos primeiro sinais clínicos da doença (e mesmo antes da confirmação da neurodegeneração) são de grande importância. Sabe-se que há uma série de fatores que aumentam a reserva cognitiva e podem compensar os efeitos do declínio cognitivo, reduzindo os sinais clínicos da doença de Alzheimer na população geral; tais fatores incluem um estilo de vida saudável, uma carreira profissional desafiadora, e escolarização adequada. No entanto, não fica claro se os fatores de risco para doença de Alzheimer em indivíduos com são os mesmos que aqueles para a DA na população em geral. Em geral, os fatores de proteção acima mencionados estão comprometidos em indivíduos com deficiência intelectual, quer por causa das características clínicas da doença subjacente, quer por causa de fatores ambientais (incluindo privação social e baixa estimulação). Os resultados de um dos estudos incluídos na presente revisão confirmam a hipótese de que, nos indivíduos com deficiência intelectual, um maior nível de funcionamento cognitivo (desenvolvido ao longo da vida) se traduz em menos declínio e em menor risco de desenvolver doença de Alzheimer. Por conseguinte, um dos objetivos da reabilitação cognitiva para pessoas com deficiência intelectual sem demência é reforçar estes fatores de proteção, estimulando essas pessoas a realizar o seu potencial e apoiando a sua participação na força de trabalho, bem como incentivando o exercício físico, a socialização, satisfação pessoal, e um estilo de vida ativo. Futuros estudos que investigam os fatores de risco para doença de Alzheimer em indivíduos com síndrome de Down poderiam esclarecer esta relação e indicar tratamentos preventivos mais eficazes. O fato de que praticamente todos os indivíduos com síndrome de Down apresentam características neuropatológicas da doença de Alzheimer dos 30 anos de idade em diante e o fato de que tais indivíduos têm déficits colinérgicos
que são comparáveis com aqueles encontrados nos cérebros de indivíduos com doença de Alzheimer torna os indivíduos síndrome de Down com um modelo natural das características neuropatológicas da doença de Alzheimer. Portanto, o desenvolvimento de intervenções para essa população também pode ser examinado em termos de sua aplicabilidade e de generalização para idosos com demência”.

Além da autonomia, que já é o grande objetivo de todas as minhas decisões sobre a rotina da Luisa, há outras possibilidades para evitar o surgimento do Alzheimer. Em uma excelente revisão publicada em outubro de 2014 no prestigiado Journal of Alzheimers Disease & Parkinsonism, de autoria do neurogastroenterologista Trent W Nichols, foram relacionadas todas as possibilidades terapêuticas de prevenção da demência de Alzheimer na síndrome de Down.

Eis o artigo, que vale uma leitura detalhada, sempre com a ajuda do Google Tradutor, quando for necessário: http://www.omicsonline.org/open-access/hyperphosphorylation-of-tau-protein-in-down-s-dementia-and-alzheimers-disease-methylation-and-implications-in-prevention-and-therapy-2161-0460-159.php?aid=32148

Partindo da constatação de que alterações na sinalização de insulina e de cálcio, declínio mitocondrial e estresse oxidativo (além da ação da toxina ambiental arsenito e da baixa dosagem de metil-mercúrio) estão implicados na hiperfosfolarização da proteína TAU, encontrada na manifestação da demência em pessoas com síndrome de Down, assim como a qualidade do sono, além de outras hipóteses que vêm se consolidando com os novos estudos, como os defeitos de metilação ou a ação das quinases DYK1A e GIcNA e da Cdk5 inhibitory peptide (CIP), o autor relaciona as opções disponíveis atualmente, como prevenção desses processos que, em última instância, levam à neurodegeneração e ao surgimento da demência de Alzheimer na síndrome de Down.

As sugestões vão desde mudanças na dieta para pessoas com síndrome de Down, que devem seguir uma dieta de baixo índice glicêmico de carbohidratos onde o glúten deve ser evitado, com adição de vitamina B, especialmente quando há mutações dos genes MTHFR e MTRR, até estratégias terapêuticas de redução da resistência à insulina a partir da regulação da proteína PPAR alpha com o uso de glitazonas, e redução do influxo de cálcio para a mitocôndria. Há, também, a possibilidade de prevenção ao declínio mitocondrial decorrente do estresse oxidativo com antioxidantes, tratamento com CDB (cannabidiol), polifenóis, ácido elágico, Resveratrol e outros bio flavonoides da uva e moderação com campos magnéticos. As pesquisas que sustentam cada uma dessas propostas terapêuticas são relacionadas pelo autor, que as dividiu por tópicos, facilitando sobremaneira o entendimento.

O autor encerra o seu texto com a seguinte sentença: “Uma criança nascida com Síndrome de Down não deve ser condenada a uma
vida posterior de demência porque herdou a trissomia 21”.

Concordo totalmente com essa conclusão, por isso, além de investir na construção da autonomia e de seguir as orientações preventivas, decidi ofertar curcumin à Luisa, porque o mesmo atua contra a patologia efetivamente, reduzindo a inflamação e a neurodegeneração já existente, inclusive com redução das placas beta amiloides e dos marcadores de perda sináptica, ou seja, reduz o dano oxidativo.

São em grande número os estudos que comprovam a eficácia do curcumin, centenas (não tô exagerando!) e dentre eles se destaca um estudo de pesquisadores japoneses, in vivo, duplo-cego, randomizado, com grupo controle, de 2006, que constatou que é um suplemento seguro: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/17101300/

A eficácia do curcumim já se encontra comprovada não apenas contra a inflamação e o dano oxidativo do Alzheimer, mas também contra diversos tipos de câncer , diabetes, aterosclerose , artrite, acidente vascular cerebral , neuropatia periférica, inflamação do intestino , e trauma cerebral. É o que afirma esta revisão de pesquisadores norte-americanos, de 2007: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/17569205/.

A questão que ainda se coloca sobre o curcumin, já que sua eficácia é amplamente comprovada, diz respeito à sua biodisponibilidade para o tecido cerebral, para que assim, atue no Alzheimer. Mesmo sendo absorvida, a biodisponibilidade da molécula de curcumin para o cérebro é muito reduzida. Para tentar solucionar esse problema de baixa biodisponibilidade, alguns laboratórios têm oferecido alternativas.

O Sabinsa desenvolveu um produto que associa o curcumin à piperina:http://www.sabinsa.com/products/standardized-phytoextracts/c3/

O Meriva aumentou a sua solubilidade acrescentando Fosfatidilcolina: https://www.thorne.com/products/dp/meriva-sr-reg

E pesquisadores da UCLA desenvolveram partículas lipídicas sólidas de curcumin, capazes de penetrar o tecido cerebral e patentearam o produto com o nome de LongVida Curcumin: http://www.amazon.com/Curcumin-LongvidaTM-Nutrivene-500-capsules/dp/B003D0A8Q0

Quanto à dosagem preventiva, pesquisa da Universidade de Ohio estabeleceu como segura a dosagem diária de 80 mg de curcumin, em média, da formulação lipídica do LongVida, cuja cápsula de 500 mg possui 125 mg de curcumin: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3518252/

A dosagem deve aumentar nos quadros patológicos já instalados, de acordo com a patologia a ser tratada. De posse dessas informações, as levei à médica nutróloga que acompanha Luisa e decidimos pelo início da oferta, bem na época que a fofolete vivia o auge da sua carreira de modelo, como podemos ver na imagem abaixo:

4 comentários em “A suplementação de curcumin”

    1. Oi Roberlene. O Curcumin que eu dou é importado, o LongVida Curcumin, comprado pela internet, mas sua (seu) médica (o) pode mandar manipular aqui mesmo no Brasil, em farmácias de manipulação, conforme dito no post, sempre misturando um fator de absorção porque, segundo os cientistas, se não houver esse fator de absorção, o Curcumin não será metabolizado.
      Um abraço

  1. Oi Gisele, açafrão da terra é o mesmo que curcumin,não é? Uma nutricionista me falou que dá para aumentar a biodisponibilidade com pimenta do reino preta. Se eu der uma colher de café de açafrão misturado com uma pitada de pimenta do reino, teria o mesmo efeito da suplementação manipulada? Será?

    1. Oi Isamara. O açafrão da terra contém a curcumina, que é um curcuminoide. A pimenta preta contém piperina, que é um alcalóide. Como vc pode ver do estudos linkados, o que dissolve a placa de proteína beta amiloide acumulada é a curcumina, o curcuminoide, em dosagem estabelecida em alguns estudos de cerca de 126 mg/dia ou aproximadamente. Então não sei se é possível saber o quanto de curcumina tem no açafrão da terra que vc usa, ma posso procurar pra vc se há estudos que já mapearam isso. Quanto áà piperina, ela favorece a metabolização do curcumin, mas, novamente, não sei te dizer quanto de piperina existe na dosagem de pimenta do reino que vc usa, ou se usado dessa forma seria tão eficaz quanto o alcalóide isolado. Vou procurar pra vc se há pesquisas que tenham estabelecido algo a respeito.

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