Voltando à programação normal. O retorno do transtorno no processamento sensorial

Depois de seis posts abordando questões  acerca do empoderamento e detalhando os suplementos introduzidos na dieta da Luisa até os dezoito meses, finalmente volto a falar do nosso dia a dia.

Esse período, até os dezoito meses, foi um tempo muito voltado para o Spasmus Nutans, como já relatei. Mas, paralelamente, outras coisas surgiram, ou retornaram, como foi o caso do transtorno (ou alteração, ou distúrbio) do processamento sensorial.

Luisa já tinha apresentado, antes de fazer um ano, algumas pistas de que nela as questões sensoriais se manifestam com alguma distinção, pois ela se recusava a pegar nos alimentos, muito embora quisesse comê-los. Essa recusa me sugeriu alguma desordem relacionada ao tato, em razão da textura e temperatura dos alimentos e, por essa razão, investi em atividades sensoriais.

Na época, Luisa ainda fazia o método Doman no Projeto Acreditar, e por um tempo focamos bastante nessa questão. Em paralelo havia todo o trabalho de sua Terapeuta Ocupacional.

E deu certo. Pouco tempo depois, Luisa já pegava nos alimentos e o transtorno no processamento sensorial parecia ter ficado no passado. Mas não ficou. Voltou. E voltou novamente relacionado ao tato, porém de uma forma diferente. Se antes Luisa tentava evitar a informação sensorial  (a sensação da fruta nas mãos), agora ela buscava repetidamente essa informação, mas não com frutas, e sim com qualquer objeto em que ela quisesse tocar, e, particularmente, com papel.

Então não era mais uma questão de evitar o toque, era uma questão de querer repetidamente o toque, através de leves batidinhas infinitamente repetitivas da mão em objetos, de leves batidinhas de qualquer papel pelo seu corpo, de batidas de um objeto no outro. Enfim, ela tem que bater.

Com um ano e quatro meses, é possível perceber no vídeo abaixo, durante uma sessão de terapia ocupacional, como ela tinha necessidade (e ainda tem) de bater a mão no brinquedo antes de apertá-lo. E como ela tinha necessidade de bater os objetos uns contra os outros  (ainda é assim atualmente).

Neste outro vídeo, também com um ano e quatro meses, ela desiste de seguir com a  atividade para bater o canudo na mesa:

Quando ela encontrava papéis pequenos pela casa, do tamanho de um cartão de visitas ou mesmo uma das cartas Pokemon do irmão……aí começava uma sessão interminável de batidinhas do papel na boca e no restante do corpo. A princípio era mais na boca.

Voltei a investir em atividades e exercícios sensoriais, mas dessa vez não houve muito êxito.  Então busquei me informar sobre as questões específicas de transtorno do processamento sensorial na síndrome de Down, em razão do funcionamento alterado dos neurotransmissores envolvidos nas sinapses químicas.

Aprendi que os distúrbios metabólicos agravam o transtorno de processamento sensorial e que é possível diminuir tais distúrbios com medidas como retirar os metais pesados do organismo.

O que despertou minha atenção para pensar os distúrbios metabólicos como um componente do transtorno de processamento sensorial, entre outros textos, foi esse texto da Inclusive: http://www.inclusive.org.br/arquivos/21049

Conversei com os médicos que atendem Luisa e decidimos usar Clorella, uma alga que, como fitoterápico, atua na remoção de metais pesados. E, lógico, mantive os exercícios sensoriais.

Essa série de textos contribuiu muito para as informações que usei sobre o uso da integração sensorial na alteração do processamento sensorial:

Sensory Processing Disorder: Therapeutic Listening – Guest Post by Carole

Sensory Processing Disorder & Our Boy with Down Syndrome

Sensory Processing Disorder & Sensation Avoidance

Sensory Processing Disorder: Sensation Seeking & ‘Antisocial Behaviour’

O resultado dessa combinação de estímulos sensoriais e limpeza do organismo foi fantástico. Mesmo com a dose mínima os gestos repetitivos desapareceram.

Spoiler: alguns meses depois, os gestos voltaram. Mas esse é assunto pra outro post.

 

2 comentários em “Voltando à programação normal. O retorno do transtorno no processamento sensorial”

  1. Oi, me tire uma duvida. Voce fez o tratamento com clorella? viu resultados? antes de começar a tomar é feito examees de sangue para ver o nivel de metais pesado no organismo?
    aguardo retorno
    Obrigada

    1. Oi Geisa,

      Faço a clorella de tempos em tempos. Por coincidência, estou ofertando agora. Nas primeiras vezes as estereotipias desapareciam. Agora não desaparecem mais, apenas atenuam, o que é um indicativo de que há outros fatores. Mas eu continuo fazendo porque percebo que há uma melhora significativa. E estou buscando outros caminhos, junto da integração sensorial. Não fizemos o exame de metais pesados porque os sinais são óbvios nela

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