Ao que parece, nosso amigo processamento sensorial gosta de atenção

Quando  voltamos da avaliação dos 18 meses, as estereotipias da Luisa se intensificaram bastante. Se antes ela precisava dar leves batidinhas nos objetos várias vezes antes de pegá-los, assim como bater levemente, repetidamente, qualquer papel que encontrasse, nos lábios, ao retornarmos as batidinhas na boca se espalharam para o corpo todo, além de surgir uma nova estereotipia, que a princípio eu achava que era chupar a língua quando estava com sono (meses mais tarde, encontrei no Simpósio Internacional de Síndrome de Down em SP, minha amiga Cínthia Azevedo, que é fono em MG e, ao lhe mostrar um vídeo, ela esclareceu que na verdade Luísa estava chupando a parte interna das bochechas).

Alguns dias após o nosso retorno,  fiz um vídeo em que Luísa fica mais de dois minutos dando leves batidinhas em um cartão de visitas por todo o seu corpo, enquanto “entoa” uma canção (minha amiga Deysi, mãe do Adam, chama de ladainha, o que considero uma boa definição). As “canções” eram o acompanhamento frequente nesses momentos, até que foram substituídas pelo ato de chupar as bochechas, quando então a “ladainha” cessou. Na literatura especializada sobre estereotipias, que já postei antes, há a referência ao quanto é comum substituit uma estereotipia por outra.

Eis um trecho pequeno do vídeo de dois minutos a que me referi:

Eis um trechinho menor ainda de um vídeo em que dá pra ver a nova estereotipia:

O que fiz foi proceder à limpeza de metais pesados com clorella. As batidinhas de papeis pelo corpo desapaceram, mas o hábito de chupar as bochechas não. Além de não ter desaparecido, Luisa surgiu com uma nova “mania”. Não era mais uma questão de bater levemente e repetidamente com a mão na minha boca quando estava sendo ninada, o que começou dessa forma rapidamente se transformou em uma compulsão por também puxar meus lábios, apertar, amassar etc.

Discutindo longamente o assunto com os profissionais que a atendem, chegamos à conclusão que as alterações sensoriais da Luisa não vinham apenas dos metais pesados, mas que, provavelmente, tinham também origem em dois outros fatores, alergias alimentares e/ou um desequilíbrio na microbiota que já configure uma disbiose, ou que ao menos se aproxime disso.

Iniciei, então, um longo processo de investigação dessas alternativas. E de repente aquela barriguinha globosa da Luísa, por meses atribuída à hipotonia e à diástase, se tornou uma fonte de suspeita de que havia algo de errado.

Como medidas preventivas, além do filtro da água que bebemos, que elimina metais pesados e equilibra o PH, comprei também um filtro de barro pra sua água do banho (até que ela aprenda a não beber a água enquanto está tomando banho), descartei qualquer objeto de alumínio existente na cozinha e iniciei uma lenta substituição dos vasilhames plásticos por vasilhames de vidro. Me preparei pra iniciar uma dieta específica pra distensão abdominal e comecei a pesquisar como proceder à investigação da disbiose.

Nesse meio tempo, com o fim do ano de 2015 se aproximando, levei Luisa pra conhecer sua futura escola, onde ela começaria a estudar, no Maternal I, em janeiro de 2016. Foi muito emocionante vê-la com a Ana Cláudia, que foi a professora de Maternal I do Thomaz e do Heitor, no dia em que ela foi conhecer sua futura sala de aula. Ela adorou conhecer a escola, ganhou abraços (que infelizmente não posso postar por não ter autorização) e rapidamente já estava interagindo com as crianças.

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6 comentários em “Ao que parece, nosso amigo processamento sensorial gosta de atenção”

  1. Minha filha Isadora , apresenta repetidamente o ato de bater os objetos na cabeça???.. Queria saber qual profissional seria indicado pra diagnosticar se é apenas um spectro?

    1. Oi Kátia, as estereotipias não são prerrogativa das pessoas com espectro autista. Muitas pessoas neurotipicas têm estereotipias. Geralmente a Integração Sensorial ajuda, então você pode conversar com um Terapeuta Ocupacional.

  2. Gisele, muito obrigada pelas valiosas informações do seu blog. Tenho um filho de sete meses com SD e muitas abordagens suas tem sido ponto de partida para discussões e sugestões aos profissionais de saúde que acompanham meu filho.
    Quanto a questão de escolarização, pergunto-lhe: como vc avalia o método Doman? De fato houve ganhos cognitivos? Na escola regular haverá alguma adaptação curricular?.

    1. Oi Adna,

      Eu que agradeço por suas palavras, elas me estimulam a continuar compartilhando nosso dia a dia. Como você já deve ter percebido, as postagens estão bastante atrasadas, por pura falta de tempo. Luísa já cursou todo o primeiro semestre na escola regular e não houve nenhuma adaptação curricular. Ela acompanha e realiza todas as tarefas que são propostas para toda a turma e a avaliação da equipe multiprofissional da escola é a de que ela não precisa, até o momento, de um profissional facilitador exclusivo para acompanhá-la. Mas, se no futuro houver necessidade do facilitador ou da adaptação pedagógica, por mim tudo bem. O mais importante é que ela permaneça onde é o seu lugar, na escola regular. Quanto ao Método Doman, não sei te dizer se houve melhora cognitiva porque Luísa começou cedo, aos 8, 9 meses, e eu não o aplico corretamente ou seja, três vezes por dia. Aplico uma vez apenas. Então não tenho parâmetros pra te dizer se ela ja estaria lendo se eu o aplicasse certinho, porque cada caso é um caso, e também não sei te dizer se ela estaria com uma avaliação tão boa do seu desenvolvimento cognitivo sw eu não o tivesse aplicado. Essa dificuldade surge porque não tenho um antes e depois, já que ela começou bebê. Mas eu acredito muito na parte da leitura do método.

  3. Olá Gisele, acompanho seu blog desde o nascimento de minha Laura (outubro/2015) e muito aprendi por aqui!
    Tenho observado há tempos em minha Laura algumas manias que agora…. refletindo sobre seu post…. começo a desconfiar que talvez sejam estereotipias…. batidas repetidas na cabeça, compulsão (como a da Luísa) em puxar meus lábios enquanto amamento ou nino, batidas na perna rápidas, como espasmos…. e batidas de mão, como se fossem “parabéns”, mas de forma compulsiva e sem ligação com a canção de aniversário…..
    Sou de SP. Qual profissional pode me ajudar a avaliar o quadro? Um neuropediatra??? (porque os pediatras do meu convênio não são lá muito bem informados sobre nada que fuja dos padrões gerais das crianças típicas).

    1. Oi Juliana,

      As estereotipias são muito mais frequentes do que imaginamos, inclusive em pessoas sem síndromes ou transtornos, porém, a frequência com que acontecem em pessoas com transtorno do espectro autista faz com que profissionais médicos que prescrevem tratamento biomédico para TEA entendam bastante do assunto, além de Terapeutas Ocupacionais, especialmente os especializados em Integração Sensorial. Infelizmente, não conheço indicações de profissionais em SP.

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