Finalmente obtendo respostas, explicações e orientações seguras

O mês de novembro de 2016 era esperado com muita  expectativa por vários motivos. Primeiro, porque a Associação Singularidade Down traria as fonoaudiólogas Cinthia Azevedo e Leticia Silva para uma formação no Método Multigestos. E segundo, porque aconteceria a consulta da Luisa com os Drs. Aderbal e Selma Sabrá e eu tinha certeza que finalmente descobriríamos o motivo da “barriga globosa”, às vezes mais, às vezes menos distendida, mas permanentemente distendida, que Luisa sempre apresentou.

Mas, no dia do início da formação do Método Multigestos, eu sofri um acidente e fraturei o pé direito, por isso não pude participar da formação, que por sinal foi extremamente proveitosa. O Método tem sido usado com sucesso por muitas famílias da nossa comunidade, inclusive pela minha, com resultados incríveis.

E foi com o pé imobilizado na cadeira de rodas (como se vê na imagem ao final) que fui à consulta com os Drs. Aderbal e Selma Sabrá, vindos do Rio de Janeiro para atender um grupo de famílias que se reuniram para trazê-los. Começamos pelo prick test e Luisa reagiu a vários alimentos: abacaxi, abóbora, leite de vaca, feijão, linhaça, soja e nozes. No exame clínico, Dr. Sabrá concordou que a distensão abdominal não era decorrente de hipotonia, explicando a razão da distensão causada pelas alergias alimentares. Prescreveu uma dieta com rodízio de alimentos durante a semana e eu tive a sensação de tirar um peso de uma tonelada das costas. Finalmente, um rumo, um norte, uma orientação firme.

Depois de aproximadamente 2 anos procurando respostas, finalmente as obtive. Por mais que seja frustrante ter passado por tantos profissionais que não deram atenção, que não “pensaram fora da caixa”, que não questionaram suas certezas, que resistiram em sair da zona de conforto, só chegamos à solução de tudo porque muitos profissionais nos acolheram e se abriram às questões específicas da síndrome de Down e mais específicas ainda da Luisa. Então eu prefiro agradecer pelos que cruzaram o nosso caminho e nele permaneceram, do que lamentar pelos que estiveram apenas de passagem.

Luisa comia abóbora sempre, feijão ao menos uma vez por semana, então os resultados do teste alérgico foram muito importantes para redirecionarmos o cardápio. Por sorte já havíamos retirado as leguminosas quando iniciamos o protocolo FODMAP, senão, acredito que Luisa teria sentido bem mais as consequências da alergia alimentar.

Iniciamos o rodízio de alimentos, mas algumas proteínas Luisa nunca havia experimentado, como o glúten por exemplo, por isso o prick test não acusou se ela é alérgica a glúten, como também não acusou que ela é de fato alérgica a carneiro. Na segunda semana do rodízio, no dia do carneiro, a manifestação da alergia ficou clara – barriga muito distendida e fezes escuras e amolecidas. Voltamos ao início, apenas aos alimentos tidos como seguros e buscamos recuperar o intestino com simbióticos. Deixamos o rodízio de lado para o retomarmos apenas em outro momento e seguimos com a exclusão dos alimentos acusados no prick test.

As mudanças foram evidentes. Luisa ficou mais sequinha e a barriga finalmente desinchou. Hoje em dia a barriga só volta a inchar quando ela reage a algum alimento novo, ou quando toma remédio contra vermes e fungos. E é impossível não ofertar alimentos novos, pois há um mundo de possibilidades a ser experimentado. No ano de 2017 as reações alérgicas passaram a incluir urticária, mas esse é assunto para um outro post. Este, prefiro encerrar com o sentimento maravilhoso de recompensa pela busca incansável de uma solução para um problema que eu sabia que estava lá, que existia, mesmo que muitos tivessem me afirmado o contrário. De fato, ninguém conhece minha filha melhor do que eu. E certamente ninguém a ama mais também.

Aguardando a consulta

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