OS PRIMEIROS SOBRESSALTOS COM O SISTEMA ESCOLAR

Faz tanto tempo que não escrevo no blog, que a distância entre os fatos narrados e o dia em que escrevo já é de mais de um ano, percebo agora, pois estamos em outubro de 2018 e eu vou escrever ainda sobre o início do ano letivo de 2017, quando iniciamos o suporte de uma pedagoga de reforço do “conteúdo convencional escolar” em casa. Eu sinto essa dificuldade de escrever sobre coisas que foram difíceis de viver e com as quais ainda estou lidando para superar. E esse post, apesar de começar com acontecimentos que pra nós foram maravilhosos, trata de situações que ainda envolvem muitas questões.

Na medida das minhas possibilidades, busco proporcionar diferentes experiências e vivências que estimulem o desenvolvimento da Luisa de uma forma lúdica e abrangente. Então, minha preocupação era garantir que o tal do “conteúdo convencional” fosse visto de uma forma lúdica.

Foi assim que a Suellen entrou na nossa vida. E foi maravilhoso. Fazia bichinhos com balão, chegava pra trabalhar vestida de bailarina, trazia fantasias diversas. Tudo envolvia música, dança, pintura, enfim, foi incrível. Vou colocar algumas fotos e vídeos do incrível trabalho da Suellen.

Mas….. sempre tem um mas, né? Suellen veio para acompanhar o conteúdo da escola. E esse conteúdo nunca chegava até nós. O ano escolar, iniciado em 10 de janeiro de 2017, transcorria sem que eu conseguisse viabilizar um encontro entre a professora da Luisa e a Suellen. Diferente do ano anterior, no Maternal I, em que a professora do Maternal I trocava informações comigo todos os dias, a professora do Maternal II estabeleceu uma formalidade dolorosa entre nós.

A escola da Luisa fica a uma quadra da minha casa. Foi a única escola em que estudei na vida, desde a alfabetização até o fim do ensino médio. Todos os meus filhos estudaram lá (e haja filho). Eu entro e saio dessa escola o tempo todo desde que tenho 5 anos de idade. E, pela primeira vez, eu me senti desconfortável. Eu pedia pra conversarmos, porque eu estava ansiosa para passar o “relatório” da Luisa pra ela e ela respondia : “vamos marcar uma reunião no horário reservado para o atendimento às famílias”…… .

Isso me desorientou e me colocou na defensiva. Então eu ficava esperando que ela marcasse a reunião. E assim passamos janeiro, fevereiro, março e abril. Um certo dia, Suellen foi à escola sem meu conhecimento e sem minha autorização e tentou falar com a professora, em busca das informações de que precisava para cumprir seu papel de reforço do conteúdo escolar. E foi graças ao inusitado da situação que a professora, enfim, marcou a reunião. Porém, já não havia mais o clima de trabalho conjunto e engajamento que marcou o primeiro ano escolar da Luisa. Aquele clima de cumplicidade, de colaboração, já não existia mais. Eu, que comparecia à escola quase diariamente, passei a evitar buscá-la. E, quando ia, não perguntava mais sobre nada.

A reunião foi um desalento. Mas eu falarei sobre ela em um outro post, pois este já está enorme.

A parceria que havia com a escola não se reproduziu da forma mais confortável pra nós, no que diz respeito a essa professora. E eu entendi que precisava de um plano para quando fosse necessário trocar de escola. E, mais importante, entendi que a ideia de que Luisa permaneceria em uma mesma escola por toda a vida, dependia do tipo de relacionamento que conseguíssemos estabelecer com o professor, da sua empatia e do seu grau de comprometimento, a cada ano. Tudo muito instável, inseguro, incerto.

Lógico que não há garantias para ninguém. Lógico que um aluno sem deficiência intelectual está sujeito ao mesmo tipo de situação. O meu receio é não perceber o processo, pois, se um aluno sem deficiência intelectual apresenta distúrbios de aprendizagem ou de comportamento decorrentes desse tipo de desconexão, soa um alerta que coloca a situação sob observação. Mas, se um aluno com deficiência intelectual apresenta distúrbio de aprendizagem e ou de comportamento, é alta a probabilidade do distúrbio ser atribuído ao diagnóstico da criança, no caso, à síndrome de Down, mascarando o problema real e criando um juízo desfavorável sobre o potencial da criança, quando o problema está no profissional. E é este o meu maior receio.

Então é preciso estar atento o tempo todo e isso é desgastante. Nos coloca na defensiva, desconfiados, fechados e desconectados do ambiente escolar. Nos causa o estresse de estar em permanente estado de alerta. Mas é isso mesmo o que fazemos quando decidimos ter um filho, ficar em alerta. Esse estresse vem pra todos os pais submetidos ao mesmo sistema de ensino, quer seus filhos tenham deficiência ou não. Acontece porque ao termos um filho, nos comprometemos com este ser humano. É o que chamamos de amor.

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